
NFS-e Nacional na clínica: o que muda em novembro de 2026

A partir de 1º de novembro de 2026, clínicas e consultórios do Simples Nacional passam a emitir a nota fiscal de serviço (NFS-e) obrigatoriamente pelo padrão nacional, no Emissor Nacional ou por API. Clínicas fora do Simples já precisam preencher os campos de IBS e CBS desde 1º de outubro. Em 2026 esses tributos são só informativos. A cobrança começa em 2027.
NFS-e Nacional é o modelo único de nota fiscal de serviço eletrônica, mantido pela Receita Federal e pelos municípios, que substitui aos poucos os sistemas próprios de cada prefeitura. Com a reforma tributária, ele virou o documento onde aparecem os novos tributos sobre consumo: a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal).
O calendário saiu de dois atos publicados em agosto de 2026: o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026, que fixou as datas dos campos de IBS e CBS, e a Resolução CGSN nº 191/2026, que adiou de 1º de setembro para 1º de novembro a obrigação do Simples, como detalhou a Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis (Fenacon). Este guia é para quem administra clínica ou consultório e precisa saber o que pedir ao contador.
O que muda na nota fiscal da clínica em novembro de 2026?
Para clínicas do Simples Nacional, muda o canal de emissão. Para as demais, muda o conteúdo da nota. As duas coisas acontecem quase ao mesmo tempo, e é por isso que tanta gente está confusa.
Se a sua clínica é optante do Simples, a partir de 1º de novembro a nota de serviço tem de sair no padrão nacional. Isso pode ser feito pelo Emissor Nacional da NFS-e, no navegador, ou por um sistema de gestão integrado via API. Até 31 de dezembro, as regras do Simples continuam iguais e não há IBS ou CBS para calcular.
Se a clínica está no Lucro Presumido ou no Lucro Real, ela já deveria estar preenchendo os campos de IBS e CBS desde 1º de outubro. Serviços médicos estão na lista geral do Ato Conjunto nº 4/2026, junto com consultoria, engenharia e educação. Não entram nas exceções que só começam em dezembro.
Calendário da NFS-e para clínicas e consultórios
As datas variam conforme o regime tributário. A tabela resume o que vale para quem presta serviço de saúde:
| Data | Quem é afetado | O que muda | Base |
|---|---|---|---|
| 1º/10/2026 | Clínicas no Lucro Presumido ou Real | Campos de IBS e CBS obrigatórios na NFS-e de serviços do ISS (inclui serviços médicos) | Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 4/2026 |
| 1º/11/2026 | ME e EPP do Simples Nacional | Emissão obrigatória no padrão nacional, pelo Emissor Nacional ou API | Resolução CGSN nº 191/2026 |
| 31/12/2026 | Todos | Fim da regra de não rejeição de notas sem IBS e CBS | Orientação do Comitê Gestor da NFS-e |
| 1º/01/2027 | Optantes do Simples Nacional | Passam a aplicar as regras de IBS e CBS e a informá-los na nota, quando exigido | Ato Conjunto nº 4/2026 e CGSN nº 191/2026 |
O portal oficial da NFS-e concentra as notas técnicas e os manuais. Para os detalhes de cada data, a nota do Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso do Sul (CRC-MS) reproduz a orientação do Comitê Gestor.

A nota sem IBS e CBS é rejeitada?
Em 2026, não. Até 31 de dezembro, o sistema nacional autoriza a NFS-e mesmo sem os campos de IBS e CBS. A ideia é não travar a emissão enquanto prefeituras e softwares terminam de se adaptar.
Só que autorizada não quer dizer regular. O Comitê Gestor da NFS-e deixou claro que, passado o prazo de cada operação, a nota sem esses dados está fora do padrão e o emissor fica sujeito às regras e sanções do Ato Conjunto nº 4/2026. Na prática, a clínica que deixar para depois vai acumular notas com problema para corrigir lá na frente.
Outro ponto que tranquiliza: não há cobrança efetiva em 2026. As alíquotas de teste são 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, e servem para calibrar o sistema. O Guia Tributário resume esse período como informativo, com a cobrança prevista para 2027.
Serviços de saúde pagam menos IBS e CBS?
Sim, e esse é o detalhe que mais importa para o caixa da clínica a partir de 2027. O art. 130 da Lei Complementar nº 214/2025 reduz em 60% as alíquotas de IBS e CBS sobre os serviços de saúde listados no Anexo III da lei.
Essa lista é organizada pela NBS (Nomenclatura Brasileira de Serviços). Ou seja: a redução não vem automaticamente por ser médico. Ela depende de a nota usar a classificação certa do serviço prestado. Um código errado pode fazer a clínica pagar a alíquota cheia sem perceber.
Vale um cuidado extra com serviços que fogem do atendimento clínico, como venda de produtos, cursos ou locação de sala. Eles podem ter tratamento diferente. Se a sua clínica mistura atividades, o contador precisa revisar cada tipo de serviço antes de 2027. Já falamos sobre regimes no post de tributação no Simples Nacional e Lucro Presumido.
Checklist: o que a clínica precisa fazer até 1º de novembro
A maior parte do trabalho é de cadastro, e dá para resolver em uma reunião com o contador. A ordem que sugerimos:
- Confirme o regime tributário da clínica. Simples, Lucro Presumido ou Real define qual data vale para você.
- Verifique se a sua prefeitura já aderiu ao padrão nacional. Alguns municípios mantêm sistema próprio integrado; outros já migraram tudo para o Emissor Nacional.
- Teste o acesso ao Emissor Nacional. Faça login com o certificado digital ou gov.br do responsável e emita uma nota de teste antes do dia 1º.
- Revise o código de serviço e a NBS. É daqui que sai a redução de 60% em 2027. Peça ao contador a classificação de cada serviço que a clínica fatura.
- Pergunte ao fornecedor do seu sistema de gestão se a emissão dele já está no padrão nacional e se envia os campos de IBS e CBS.
- Avise a recepção. Quem emite a nota no balcão precisa saber onde emitir a partir de novembro e o que fazer se a nota voltar com alerta.
- Guarde as notas de 2026 organizadas. Se alguma sair sem IBS ou CBS por erro de cadastro, é mais fácil corrigir agora do que em 2027.
Um aviso honesto: este texto é informativo e não substitui o seu contador. As regras da reforma tributária ainda estão recebendo notas técnicas e atos complementares, e o Ato Conjunto previa que a Receita e o Comitê Gestor do IBS publicassem um programa de conformidade para 2026.

E o médico que atende como pessoa física?
O médico autônomo que emite NFS-e pelo CPF pode continuar fazendo isso de forma transitória, até a Receita criar o chamado CNPJ técnico, segundo o Comitê Gestor da NFS-e. Quem atende como pessoa física e emite recibo (com carnê-leão) não está no centro dessa mudança de novembro, que mira as empresas do Simples.
Ainda assim, vale acompanhar. Muitos médicos abrem PJ justamente por causa da carga tributária, e a reforma muda a conta. Se você está nesse momento, o guia sobre como emitir nota fiscal de consultório explica os passos básicos, e o de abrir consultório do zero cobre a escolha do regime.
Perguntas frequentes sobre NFS-e Nacional em clínicas
Clínica no Simples Nacional precisa usar o Emissor Nacional da NFS-e?
Sim. Pela Resolução CGSN nº 191/2026, microempresas e empresas de pequeno porte do Simples Nacional que prestam serviços sujeitos à NFS-e devem emitir no padrão nacional a partir de 1º de novembro de 2026, pelo Emissor Nacional na web ou por integração via API com o sistema de gestão.
Minha clínica precisa destacar IBS e CBS na nota fiscal em 2026?
Depende do regime. Clínicas fora do Simples (Lucro Presumido ou Real) devem preencher os campos de IBS e CBS na NFS-e desde 1º/10/2026. Para optantes do Simples, a regra começa em 1º/01/2027. Em 2026 os valores são informativos, com alíquota-teste de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.
A nota sem IBS e CBS é rejeitada?
Não em 2026. Até 31/12/2026, o sistema nacional não rejeita a NFS-e por falta dos campos de IBS e CBS. Mas o Comitê Gestor da NFS-e avisa que, depois do prazo de cada operação, a nota sem esses dados é irregular mesmo autorizada, e o emissor fica exposto a sanções.
Serviços de saúde pagam menos IBS e CBS?
Sim. O art. 130 da Lei Complementar nº 214/2025 reduz em 60% as alíquotas de IBS e CBS sobre os serviços de saúde listados no Anexo III da lei, identificados pela classificação NBS. Por isso, o código de serviço correto na nota passa a ter impacto direto no imposto.
Médico autônomo pessoa física também emite NFS-e Nacional?
Profissionais autônomos podem continuar identificando o emissor pelo CPF de forma transitória, até a criação do chamado CNPJ técnico, segundo o Comitê Gestor da NFS-e. Quem atende como pessoa física deve confirmar com o contador e com a prefeitura qual documento usar.
Resumo
A NFS-e Nacional muda a rotina da clínica em três datas: 1º/10/2026 (IBS e CBS na nota para quem está fora do Simples), 1º/11/2026 (Simples emite só no padrão nacional) e 1º/01/2027 (Simples aplica IBS e CBS). Em 2026 não há cobrança, mas a nota incompleta já é irregular. Serviços de saúde terão redução de 60%, se o código estiver certo.
Quanto menos a nota depender de digitação, menor o risco de erro nessa transição. No ByDoctor, a nota fiscal sai direto do pagamento registrado, com paciente, valor e serviço já preenchidos, e vai para o paciente pelo WhatsApp. Os dados do emissor (município, regime e certificado) ficam em um só lugar, o que facilita revisar tudo com o contador. Veja como funciona o Financeiro do ByDoctor ou compare os planos.