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Capa: Faturamento TISS e TUSS: Como Usar as Tabelas Corretamente

Faturamento TISS e TUSS: Como Usar as Tabelas Corretamente

13 min readPedro Impulcetto

Para fazer o faturamento TISS de uma clínica sem gerar glosas, você precisa entender dois elementos distintos: o padrão de comunicação (TISS) e a tabela de códigos de procedimentos (TUSS). Confundir os dois — ou usar um código TUSS desatualizado — é uma das causas mais frequentes de rejeição de guias por operadoras de saúde.

TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) é o padrão técnico definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a troca eletrônica de informações entre prestadores de saúde e operadoras. O padrão define o formato dos arquivos XML, os tipos de guia (consulta, SP/SADT, internação, honorários) e as regras de validação. TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é a tabela de nomenclatura de procedimentos — os códigos de 8 dígitos que identificam cada exame, consulta ou cirurgia dentro dos documentos TISS.

Dados consolidados de operadoras do setor indicam que erros de código de procedimento respondem por cerca de 30% das glosas técnicas em faturamento de convênios. Para clínicas que faturam acima de R$ 50.000 mensais em convênios, isso pode representar perdas de R$ 5.000 a R$ 15.000 em receita retida por mês — a maioria por erros que um processo de conferência simples resolveria.

Profissional de faturamento clínico consultando tabela TUSS no computador com guias médicas na mesa

Qual a diferença entre TISS e TUSS?

TISS é o padrão de comunicação — o "idioma" que prestadores e operadoras usam para trocar documentos eletrônicos. TUSS é o dicionário desse idioma: a lista de todos os procedimentos com seus respectivos códigos. Você não pode ter um sem o outro.

Uma guia TISS de consulta, por exemplo, contém campos obrigatórios como o código do prestador, a data de atendimento, o CID-10 e o código do procedimento realizado. Esse último campo usa obrigatoriamente um código TUSS — e se o código não existir na versão TISS vigente, a guia é rejeitada na validação técnica antes mesmo de chegar ao faturista da operadora.

Para entender melhor o funcionamento completo do padrão de comunicação, o post faturamento TISS: o que é e por que é essencial para sua clínica explica a estrutura dos documentos desde o credenciamento. Aqui o foco é específico: como usar os códigos TUSS de forma correta.

A estrutura do código TUSS

Todo código TUSS tem 8 dígitos numéricos. A estrutura não é aleatória: os primeiros dois dígitos identificam o grupo de procedimento (ex.: 30 para consultas, 40 para exames de diagnóstico, 50 para cirurgias). O detalhamento aumenta conforme os dígitos seguintes.

Um exemplo: o código 30101012 corresponde à consulta médica em consultório pelo médico assistente. O código 40308019 corresponde à eletrocardiograma (ECG). Esses dois exemplos ilustram como a tabela funciona na prática — cada procedimento tem uma identificação única que a operadora usa para autorizar, pagar e auditar.

Antes da TUSS, as clínicas usavam a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) — uma tabela mantida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB). A transição para a TUSS foi gradual e ainda há contratos de convênio antigos que referenciam códigos CBHPM. Quando isso acontece, o sistema de faturamento precisa fazer a correspondência entre os dois padrões.

Como consultar e usar a tabela TUSS corretamente

Tela de sistema de faturamento mostrando busca de código TUSS para procedimento médico com resultado validado

A tabela TUSS oficial está disponível no portal da ANS. O arquivo é publicado em formato de planilha e atualizado conforme novas versões do padrão TISS são liberadas. A versão vigente do padrão é a 3.05.00.

O processo de busca do código correto segue quatro etapas:

  1. Identifique o procedimento pelo nome clínico: use a descrição técnica do exame ou cirurgia, não o nome popular. "Hemograma completo" tem um código diferente de "hemograma com contagem diferencial de leucócitos".
  2. Verifique o status do código: códigos podem ser ativos, inativos ou migrados para outro código. Usar um código inativo gera rejeição imediata.
  3. Confirme a compatibilidade com a especialidade: algumas operadoras só aceitam determinados códigos TUSS quando o prestador está habilitado na especialidade correspondente. Um cardiologista não pode faturar um procedimento de neurologia, mesmo que o código TUSS exista.
  4. Verifique a compatibilidade com o CID-10: guias de SADT e internação exigem coerência entre o diagnóstico (CID-10) e o procedimento (TUSS). A rejeição por incompatibilidade CID-TUSS é frequente e fácil de evitar com uma tabela de compatibilidade atualizada. O post sobre CID-10 para convênios: códigos aceitos e rejeitados detalha as combinações mais comuns de rejeição.

Em clínicas com volume alto de guias, fazer essa verificação manualmente para cada procedimento é inviável. Sistemas de faturamento integrados ao TISS fazem a validação automaticamente no momento do lançamento — antes do envio da guia à operadora.

Comparativo: TUSS, CBHPM e tabelas próprias de operadoras

Uma fonte recorrente de confusão no faturamento de convênios é entender qual tabela está sendo usada em cada contexto. O quadro abaixo resume as diferenças:

TabelaMantida porUso no faturamento TISSSituação atual
TUSSANSObrigatória em todos os documentos TISS desde 2012Vigente — versão atualizada periodicamente
CBHPMCFM / AMBReferência de precificação em contratos antigos; não substitui TUSS no XMLUsada como referência de valor; não é o código do arquivo
Tabela própria da operadoraCada operadora (Unimed, SulAmérica, etc.)Define os valores pagos por código TUSS — não muda o código em siVigente — varia por contrato e especialidade
AMB (Associação Médica Brasileira)AMBBase histórica de codificação; migrada para TUSSEm desuso no faturamento eletrônico

O ponto mais importante da tabela acima: o código TUSS identifica o procedimento, mas o valor pago por ele depende da tabela de honorários do seu contrato com cada operadora. Uma consulta com código TUSS 30101012 pode ser remunerada em R$ 42 por uma operadora e R$ 67 por outra — tudo depende do contrato negociado.

Isso significa que conferir a tabela de preços do contrato é tão importante quanto conferir o código correto. Para entender como as versões do padrão impactam os contratos existentes, o post sobre diferença entre as versões TISS 3.04, 3.05 e a versão atual detalha o que mudou em cada atualização e quais campos foram afetados.

Quais erros de TUSS geram mais glosas?

Relatório de glosas de faturamento médico com destaque em erros de código TUSS em planilha clínica

Glosa por erro de código TUSS acontece em padrões bem definidos. Os cinco erros mais frequentes, em ordem de ocorrência:

  1. Código inativo: o procedimento foi descontinuado ou migrado para outro código em uma atualização da tabela TUSS, mas o sistema de faturamento não foi atualizado. Resultado: rejeição automática na validação do XML.

  2. Código incompatível com a especialidade do prestador: a operadora só aceita aquele código TUSS quando o CRM e a especialidade cadastrada batem com o procedimento. Isso varia por contrato — e muitas clínicas descobrem a incompatibilidade só depois da glosa.

  3. Código divergente do CID-10: em guias de SADT, a operadora cruza o CID-10 informado com o procedimento realizado. Pedir um ecocardiograma com CID de dermatite vai ser glosado. O alinhamento CID-TUSS precisa fazer sentido clínico.

  4. Código correto, mas versão TISS desatualizada: o código existe, mas o arquivo XML foi gerado no padrão 3.04 enquanto a operadora já exige 3.05. O erro aparece no nível do envelope, não do código, mas o resultado é o mesmo: guia rejeitada.

  5. Uso de código genérico quando existe código específico: algumas equipes de faturamento usam um código de procedimento genérico (ex.: "outros procedimentos") para evitar dúvida sobre qual código usar. Operadoras auditam esse padrão e tendem a glosar guias com alta concentração de códigos inespecíficos.

Para uma análise completa de como corrigir glosas já geradas e evitar as recorrentes, o post como reduzir glosas com o faturamento TISS bem configurado traz o protocolo de revisão passo a passo.

Perguntas frequentes sobre TISS e TUSS

Qual a diferença entre TISS e TUSS?

TISS é o padrão técnico de comunicação eletrônica entre prestadores e operadoras de saúde, estabelecido pela ANS por meio da Resolução Normativa nº 305/2012. TUSS é a tabela de códigos de procedimentos usada dentro dos documentos TISS. Em termos práticos: o arquivo TISS é o container; o código TUSS é o conteúdo que identifica o que foi realizado.

Como encontrar o código TUSS correto para um procedimento?

Acesse a tabela TUSS atualizada no portal da ANS, localize o procedimento pelo nome técnico ou pela especialidade e verifique se o código está ativo na versão TISS vigente. Sistemas de faturamento que integram a tabela TUSS internamente atualizam os códigos a cada nova versão, eliminando a consulta manual e reduzindo o risco de usar um código inativo.

O que acontece se eu usar um código TUSS incorreto na guia?

A guia é glosada — total ou parcialmente — pela operadora. O motivo mais comum de glosa por código é o uso de um código inativo, incompatível com a especialidade do prestador ou divergente do CID-10 informado. Dados do setor indicam que cerca de 30% das glosas técnicas têm origem em erro de código TUSS, a maioria evitável com validação automática antes do envio.

A tabela TUSS é igual para todos os convênios?

A tabela TUSS é padronizada pela ANS e serve como base comum para todos os convênios. O que varia entre operadoras é a tabela de honorários: o valor pago por cada código TUSS pode diferir significativamente de um contrato para outro. O código identifica o procedimento; o preço é definido em contrato separado.

Com que frequência a tabela TUSS é atualizada?

A ANS atualiza a tabela TUSS em média uma a duas vezes por ano, geralmente junto com novas versões do padrão TISS. As atualizações incluem novos códigos para procedimentos recentemente reconhecidos, inativação de códigos obsoletos e ajustes de nomenclatura. Clínicas que usam sistemas de faturamento integrados recebem essas atualizações automaticamente.

Resumo

TISS é o padrão eletrônico de troca de documentos entre prestadores e operadoras; TUSS é a tabela de códigos de procedimentos usada dentro desses documentos. Para faturar corretamente, a clínica precisa usar o código TUSS ativo, compatível com a especialidade do prestador e coerente com o CID-10 — tudo isso dentro de um arquivo XML gerado na versão TISS vigente (atualmente 3.05.00). Os cinco erros mais comuns — código inativo, incompatibilidade de especialidade, divergência CID-TUSS, versão desatualizada e código genérico — respondem pela maioria das glosas técnicas evitáveis.

A forma mais confiável de garantir esse alinhamento é usar um software de faturamento TISS integrado que atualize a tabela TUSS automaticamente e valide os campos antes do envio. O ByDoctor faz essa validação em tempo real no módulo de faturamento — antes de a guia sair do sistema, os campos críticos já foram conferidos contra a versão TISS vigente e as regras de compatibilidade da operadora.

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