
Faturamento TISS: Diferença entre TISS 3.04, 3.05 e a Versão Atual
O padrão TISS tem versões distintas — e usar a errada faz as guias serem rejeitadas automaticamente pelas operadoras, gerando glosas técnicas que atrasam o pagamento por semanas. A diferença entre TISS 3.04, 3.05 e a versão atual está nos campos obrigatórios, na estrutura dos XMLs e nos códigos TUSS aceitos em cada guia.
TISS (Troca de Informações na Saúde Suplementar) é o padrão eletrônico obrigatório regulamentado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para todas as trocas de dados entre prestadores de serviços de saúde e operadoras de planos. Cada versão do padrão define quais campos existem, quais são obrigatórios e qual estrutura XML o sistema precisa gerar — e operadoras só aceitam a versão vigente após o prazo de migração.
Segundo a ANS, mais de 95% das trocas eletrônicas entre clínicas e operadoras passam pelo padrão TISS. Clínicas que já entendem o funcionamento básico do sistema podem consultar o guia completo sobre o que é faturamento TISS. Este artigo foca especificamente nas diferenças entre as versões e no que muda na prática para quem fatura por convênios.

O que cada versão do TISS mudou na prática?
Cada versão do padrão TISS não é uma simples atualização cosmética. A ANS publica novas versões para incorporar mudanças regulatórias, corrigir inconsistências técnicas e alinhar o padrão com a realidade assistencial do mercado. O impacto prático é direto: campos que antes eram opcionais tornam-se obrigatórios, novos tipos de guia são criados e os XMLs gerados pelo sistema precisam refletir essas mudanças.
A tabela abaixo resume o que cada versão trouxe de concreto para o faturamento das clínicas:
| Versão | Ano de vigência | Principal mudança | Impacto no faturamento |
|---|---|---|---|
| TISS 3.03 | Até 2014 | Estrutura XML ainda coexistia com formatos legados | Transição para XML obrigatório em andamento |
| TISS 3.04 | 2014–2019 | XML como único formato aceito; novos campos de identificação do prestador | Clínicas sem sistema atualizado passaram a ter guias rejeitadas |
| TISS 3.05 | 2019–2022 | Campos de beneficiário ampliados; atualizações no TUSS; novas validações de OPME | Rejeições aumentaram em clínicas com cadastros incompletos de beneficiários |
| TISS 3.05.01 | 2022–2023 | Correções técnicas em guias de SP/SADT; ajustes em campos de CID | Guias com CID ausente passaram a ser rejeitadas em procedimentos específicos |
| TISS 3.05.02 (atual) | 2024 em diante | Novas validações para OPMEs, ajustes em prazos de envio e compatibilidade com ANS Digital | Clínicas que faturam OPMEs precisaram revisar o cadastro de produtos |
Quais são as diferenças específicas entre TISS 3.04 e TISS 3.05?
A migração do TISS 3.04 para o 3.05 foi a que gerou mais rejeições em clínicas de médio porte no Brasil. O motivo: o 3.05 tornou obrigatórios campos que antes eram facultativos nas guias de consulta e SP/SADT — e sistemas desatualizados continuavam enviando os XMLs no formato antigo.
As principais diferenças técnicas entre as duas versões incluem:
- Identificação do beneficiário: O TISS 3.05 exige o número do cartão do beneficiário com dígito verificador validado. No 3.04, a validação era mais permissiva e alguns campos de endereço eram opcionais.
- Código TUSS atualizado: A tabela de procedimentos TUSS passou por revisão entre 3.04 e 3.05, com códigos descontinuados e novos códigos inseridos. Procedimentos enviados com o código antigo são rejeitados.
- Guia de Internação: O 3.05 adicionou campos obrigatórios de caráter da internação (eletiva, urgência, acidente) com validação cruzada com o CID informado.
- Dados do solicitante: O 3.05 separou os campos de médico solicitante e médico executante com mais rigor — o que gerou rejeições em clínicas onde o mesmo profissional exercia os dois papéis sem o preenchimento correto dos dois campos.
- Validação de OPME: O TISS 3.05 introduziu campos de registro na Anvisa e preço de referência para OPMEs, inexistentes no 3.04.
Para clínicas que não faturam OPMEs ou internações, a transição do 3.04 para o 3.05 afetou principalmente as guias de consulta e SP/SADT — especialmente o campo de carteira do beneficiário e o código TUSS atualizado.

O que mudou na versão atual do TISS (3.05.02)?
O TISS 3.05.02 é a versão vigente e trouxe ajustes mais pontuais em comparação com a transição 3.04→3.05. As mudanças concentram-se em três áreas: OPMEs, prazos eletrônicos e compatibilidade com os sistemas do programa ANS Digital.
Na prática, as clínicas que mais precisam atenção com o 3.05.02 são as que trabalham com procedimentos cirúrgicos ambulatoriais com uso de materiais e as que integram sistemas diretamente via API com operadoras — o chamado faturamento eletrônico direto.
Os ajustes mais relevantes do 3.05.02:
- OPMEs com registro Anvisa obrigatório: O campo de registro ANVISA passou a ser validado contra a base de dados pública da Anvisa. Materiais sem registro ativo geram rejeição automática.
- Prazo de envio da guia de resumo de internação: O 3.05.02 formalizou um prazo máximo de 30 dias corridos para envio da guia após a alta, antes tratado como prazo negocial entre prestador e operadora.
- Identificador de transação único: Cada lote de faturamento passou a exigir um identificador de transação gerado pelo prestador — o que implica que sistemas sem controle de numeração de lotes precisaram ser ajustados.
- Compatibilidade com e-protocolo ANS: O 3.05.02 alinha os campos de contestação de glosa com o formato aceito pelo sistema de e-protocolo da ANS, facilitando recursos administrativos.
Clínicas que usam um software de clínica médica certificado pela ANS recebem essas atualizações automaticamente. O problema ocorre em consultórios que usam planilhas manuais ou sistemas locais desatualizados — nesses casos, o XML gerado ainda pode estar no formato 3.05.01 ou anterior.
Como verificar se minha clínica está na versão correta do TISS?
A verificação é mais simples do que parece. Existem três formas práticas de confirmar qual versão do TISS seu sistema está gerando — sem precisar analisar o XML manualmente.
O passo mais direto é acessar as configurações de faturamento eletrônico do seu sistema e localizar o campo "versão do padrão TISS" ou "versão do layout". Em sistemas como o ByDoctor, essa informação aparece na tela de configuração do convênio. Se o número não aparecer, solicite ao suporte técnico do fornecedor.
Outras formas de verificar:
- Analisar o XML gerado: Abra um arquivo de lote gerado pelo sistema (extensão .xml ou .zip) e procure a tag <versaoPadrao>. O valor deve ser "3.05.02".
- Consultar o relatório de rejeições da operadora: Rejeições com código de erro técnico (não de mérito assistencial) geralmente indicam incompatibilidade de versão. Operadoras como Unimed, Bradesco Saúde e SulAmérica informam o motivo da rejeição no portal do prestador.
- Verificar o certificado do fornecedor de software: A ANS publica a lista de softwares certificados com a versão homologada em ans.gov.br. Se seu fornecedor consta na lista e a versão está correta, o sistema está apto.

Quais erros de faturamento TISS são mais comuns por incompatibilidade de versão?
Nem toda glosa vem de erro clínico ou de autorização negada. Uma parcela significativa das rejeições nas clínicas brasileiras tem origem técnica — e incompatibilidade de versão TISS é a causa mais recorrente entre problemas técnicos.
Os erros mais frequentes relacionados à versão do padrão:
| Tipo de erro | Causa na versão TISS | Solução |
|---|---|---|
| Rejeição de lote completo | Versão do padrão declarada no XML não corresponde à aceita pela operadora | Atualizar o sistema para a versão vigente e reenviar |
| Campo obrigatório ausente | Campo adicionado em versão mais recente não existe no layout antigo do sistema | Preencher manualmente ou atualizar o sistema |
| Código TUSS inválido | Código pertence à tabela de versão anterior, descontinuado na versão atual | Consultar tabela TUSS vigente e atualizar o mapeamento no cadastro de procedimentos |
| OPME sem registro Anvisa | Campo obrigatório a partir do 3.05.02 não preenchido | Cadastrar o registro Anvisa no sistema antes de faturar o procedimento |
| Identificador de transação duplicado | Sistema sem controle de numeração de lotes por transação | Verificar configuração de numeração automática de lotes no sistema |
O controle financeiro eficiente do consultório depende de um faturamento que chega íntegro às operadoras. Glosas técnicas por incompatibilidade de versão são as mais fáceis de evitar — e as mais frustrantes de descobrir tardiamente, porque o erro fica invisível até o relatório de rejeições chegar.
Perguntas frequentes sobre versões do TISS
Qual a diferença entre TISS 3.04 e TISS 3.05?
O TISS 3.05 tornou obrigatórios campos que no 3.04 eram opcionais, especialmente dados de identificação do beneficiário e registros de OPME. Também atualizou a tabela de procedimentos TUSS, descontinuando códigos antigos. Clínicas que não migraram no prazo defnido pela ANS passaram a ter guias rejeitadas automaticamente pelas operadoras.
Qual é a versão atual do TISS em 2025 e 2026?
A versão vigente é o TISS 3.05.02. A ANS publica os prazos de migração com antecedência em ans.gov.br, normalmente com 6 a 12 meses de transição antes de descontinuar a versão anterior. Operadoras são obrigadas pela regulação a aceitar apenas a versão vigente após o prazo.
O que acontece se minha clínica enviar guias em versão desatualizada?
As guias são rejeitadas tecnicamente — não glosadas, mas rejeitadas, o que significa que nem chegam a ser analisadas pelo setor de glosas da operadora. O retrabalho é maior: é preciso corrigir o sistema, regerar todos os XMLs do lote e reenviar dentro do prazo de faturamento. Cada dia de atraso afeta o fluxo de caixa da clínica.
Como saber qual versão TISS meu software usa?
Verifique nas configurações de faturamento eletrônico do sistema. A versão deve aparecer como "3.05.02". Se não estiver visível, consulte o suporte técnico do fornecedor ou analise a tag <versaoPadrao> em um XML gerado pelo sistema. Softwares certificados pela ANS mantêm essa informação atualizada.
Resumo
Em resumo: TISS 3.04 consolidou o XML como padrão obrigatório; TISS 3.05 ampliou campos obrigatórios e atualizou a tabela TUSS; TISS 3.05.02 (versão atual) adicionou validações de OPME e identificação única de transações. Usar uma versão desatualizada gera rejeição automática de lotes inteiros — não uma glosa, mas uma devolução técnica que exige retrabalho total.
Para garantir que sua clínica sempre fature na versão correta, a solução mais confiável é usar um sistema de gestão que atualize o padrão TISS automaticamente. O ByDoctor mantém o faturamento eletrônico alinhado com a versão vigente da ANS, incluindo validação prévia das guias antes do envio — o que reduz rejeições técnicas e mantém o fluxo de caixa estável. Veja como funciona a gestão de convênios no ByDoctor e evite que problemas de versão interfiram no seu recebimento.