
Faturamento TISS na Prática: Passo a Passo para Clínicas
Faturamento TISS na prática significa preencher a guia certa com o código certo no prazo certo — e enviar antes que a operadora feche o lote. Parece simples, mas clínicas perdem receita todo mês por detalhe: campo preenchido errado, código TUSS desatualizado, autorização que venceu. Este guia cobre o passo a passo operacional para que sua equipe não deixe dinheiro na mesa.
O faturamento TISS é o conjunto de procedimentos que uma clínica ou consultório realiza para registrar, codificar e transmitir eletronicamente os atendimentos às operadoras de planos de saúde, seguindo o padrão obrigatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A versão atual é a TISS 3.05.00, publicada em 2023. Cada guia enviada fora desse padrão é rejeitada antes mesmo de ser analisada.
O impacto financeiro de um processo mal estruturado é concreto. Segundo levantamento da Federação Brasileira de Hospitais (FBH), glosas por erros de codificação e falta de documentação representam entre 5% e 12% da receita bruta de clínicas conveniadas. Em uma clínica que fatura R$ 80.000 por mês com planos, isso significa até R$ 9.600 mensais retidos ou devolvidos sem necessidade.

Quais são os tipos de guia TISS e quando usar cada uma?
Existem cinco tipos principais de guia TISS, cada uma cobrindo um tipo de atendimento. Usar a guia errada é uma das causas mais comuns de rejeição imediata — a operadora sequer analisa o mérito clínico, basta o tipo estar incorreto.
| Tipo de guia | Quando usar | Campos obrigatórios principais |
|---|---|---|
| Guia de Consulta (Tipo 1) | Consultas ambulatoriais: médico, dentista, psicólogo, fisioterapeuta | CBO do profissional, CID-10, código TUSS da consulta, data e hora |
| Guia SP/SADT (Tipo 2) | Exames laboratoriais, imagem, procedimentos diagnósticos e terapêuticos | Código TUSS do procedimento, grau de participação, caráter do atendimento |
| Guia de Solicitação de Internação | Pedido de internação (antes da entrada do paciente) | CID-10 principal, tipo de internação, regime, caráter (eletivo/urgência) |
| Guia de Resumo de Internação | Fechamento da conta hospitalar após a saída | Data de entrada e saída, procedimentos realizados, materiais, OPMEs |
| Guia de Honorários Individuais | Cobrança separada de profissional que atuou em cirurgia ou procedimento | CRM/CBO do profissional, código da participação (cirurgião, anestesista, auxiliar) |
Na prática ambulatorial do dia a dia — consultas e exames — sua equipe trabalha principalmente com a Guia de Consulta e a SP/SADT. Se a clínica realiza procedimentos que exigem anestesia ou participação de mais de um profissional, a Guia de Honorários Individuais entra junto com a SP/SADT.
Como identificar o código TUSS correto
O código TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é o identificador numérico de cada procedimento na tabela da ANS. A tabela completa está disponível para consulta e download em ans.gov.br/prestadores/tiss.
O processo de identificação do código correto tem três etapas:
- Nome exato do procedimento: a busca na tabela TUSS funciona melhor com o nome técnico padronizado — "colecistectomia videolaparoscópica" encontra resultado, "retirada da vesícula por vídeo" provavelmente não.
- Verificar a versão vigente: a ANS atualiza a tabela periodicamente; usar uma tabela desatualizada é a segunda maior causa de glosas por codificação incorreta.
- Conferir cobertura pelo plano: mesmo com o código correto, o procedimento pode não estar coberto pelo plano específico do paciente — isso precisa ser checado na autorização, não depois.
Sistemas de gestão clínica com a tabela TUSS integrada — como o módulo de faturamento do ByDoctor — eliminam essa busca manual e atualizam os códigos automaticamente quando a ANS publica novas versões.

Como preencher a Guia de Consulta TISS sem erros
A Guia de Consulta é a mais usada em clínicas ambulatoriais e também a que gera mais glosas por descuido — justamente por parecer simples. Os campos que mais causam rejeição não são os óbvios (nome do paciente, data), mas os técnicos.
Preencha na seguinte ordem:
- Registro ANS da operadora: número de 6 dígitos disponível no site da ANS; não é o CNPJ do plano.
- Número da carteirinha do beneficiário: use exatamente o número impresso, incluindo zeros à esquerda se houver; divergências de 1 dígito geram glosa automática.
- Código do prestador: seu código cadastrado na operadora, não o CNES. Cada operadora atribui um código diferente.
- Data e hora do atendimento: obrigatório no formato exigido pela versão TISS em uso.
- CBO do profissional: o Código Brasileiro de Ocupações da especialidade do médico que atendeu — não do titular do contrato com o plano.
- Código TUSS da consulta: consulta médica ambulatorial é 10101012; consulta em pronto-socorro é 10102019; psicologia é 10112019. Confira sempre.
- CID-10 principal: obrigatório em todas as guias; use o código mais específico disponível.
- Tipo de atendimento: primeira consulta ou retorno — algumas operadoras têm tarifas diferentes e rejeitam se houver divergência.
Clínicas com agendamento online integrado ao prontuário têm metade desses campos preenchidos automaticamente antes da consulta começar. O dado do beneficiário vem do cadastro, o CBO vem do perfil do médico, e o código TUSS é sugerido pelo sistema. A equipe só confirma — não digita.
Autorização prévia: quando é obrigatória
Nem todo procedimento exige autorização prévia, mas quando exige, a guia sem ela vai para a lixeira. A Resolução Normativa ANS nº 465/2021 estabelece que procedimentos eletivos de média e alta complexidade precisam de autorização prévia, mas cada operadora define sua própria lista além do mínimo regulatório.
A regra prática: solicite autorização prévia sempre que o procedimento não for consulta simples ou exame de baixa complexidade. Se houver dúvida, ligue para a operadora antes do atendimento. O tempo gasto na verificação anterior é menor que o tempo gasto em um recurso de glosa.
O que é glosa TISS e como evitá-la?
Glosa TISS é a recusa total ou parcial de pagamento por uma operadora de plano de saúde, motivada por inconsistência ou irregularidade na guia enviada. Ela pode ser técnica (erro de preenchimento, código errado), administrativa (falta de autorização, prazo expirado) ou clínica (procedimento não coberto, indicação questionada).
Os dados da INAHP de 2024 mostram que 78% das glosas em clínicas ambulatoriais têm origem em apenas três causas:
| Causa da glosa | Percentual das glosas | Como prevenir |
|---|---|---|
| Código TUSS incorreto ou ausente | 34% | Tabela TUSS integrada ao sistema; atualização automática |
| Falta de autorização prévia | 27% | Checklist de autorização antes de todo procedimento eletivo |
| Dados do beneficiário divergentes | 17% | Conferência da carteirinha na chegada do paciente; atualização cadastral |
| Envio fora do prazo | 12% | Controle de lotes com alerta de vencimento por operadora |
| Outras causas | 10% | Auditoria mensal de guias rejeitadas |
A maioria dessas glosas é evitável antes do envio. Clínicas que implantam uma validação automática das guias — conferindo formato, códigos e campos obrigatórios antes de transmitir o lote — eliminam as causas técnicas quase completamente. O que sobra são as contestações clínicas, que aí sim precisam de análise e recurso.
Entender como reduzir glosas com um faturamento TISS bem configurado é o passo seguinte depois de dominar o preenchimento básico das guias.
Como organizar o envio de lotes TISS por prazo
Cada operadora tem seu próprio calendário de corte — a data até a qual aceita guias de um determinado período de competência. Enviar no dia seguinte ao corte significa esperar o próximo ciclo, geralmente 30 dias.
A organização por operadora é indispensável para clínicas conveniadas com mais de dois planos:
- Mapeie o calendário de cada operadora: data de corte, prazo de pagamento, canal de envio (portal próprio ou sistema integrado).
- Feche o lote com antecedência mínima de 3 dias úteis: isso dá tempo para corrigir erros de validação antes da transmissão final.
- Guarde o protocolo de envio: o número de protocolo gerado pela operadora é sua prova de entrega; sem ele, não há como contestar uma alegação de "guia não recebida".
- Monitore a devolutiva: operadoras devolvem o lote com status de cada guia (aceita, rejeitada, em análise); processe as rejeições imediatamente, não acumule.
- Registre glosas por operadora e tipo: esse histórico é a base para identificar padrões e negociar contratos — se uma operadora glosa sistematicamente um procedimento que você executa, o problema pode ser contratual, não operacional.
Para manter o controle financeiro do consultório em dia, o faturamento TISS precisa estar integrado ao fluxo de contas a receber — não gerenciado em planilha paralela. Quando a guia é aceita, o valor entra no contas a receber com data prevista de pagamento. Quando é glosada, gera uma tarefa de recurso com prazo.

Como automatizar o faturamento TISS sem perder controle
Automatizar não significa abrir mão da revisão — significa eliminar as tarefas repetitivas que ocupam sua equipe e são a fonte dos erros mais evitáveis.
O que vale automatizar:
- Preenchimento automático de dados do beneficiário: integração com o cadastro de pacientes elimina digitação de carteirinha e dados pessoais.
- Sugestão do código TUSS: o sistema preenche o código com base no procedimento registrado no prontuário; a equipe confirma, não digita.
- Validação pré-envio: o sistema confere campos obrigatórios, formato de datas e consistência entre CID e procedimento antes de transmitir.
- Alertas de prazo por operadora: notificações automáticas quando o corte se aproxima reduzem envios fora do prazo para zero.
- Reconciliação de pagamentos: cruzamento automático entre o que foi enviado e o que a operadora pagou, identificando glosas sem exigir conferência manual extrato a extrato.
O que não deve ser automatizado sem supervisão: a codificação de procedimentos cirúrgicos complexos, a solicitação de autorização prévia (que exige julgamento clínico) e o recurso de glosas (que precisa de argumentação técnica).
Sistemas de gestão clínica como o ByDoctor integram prontuário, agendamento e faturamento TISS em um único fluxo. O médico finaliza o atendimento no prontuário eletrônico, o sistema gera automaticamente o rascunho da guia, e a secretária valida e transmite. O tempo médio de preparação de um lote cai de 4 horas para menos de 45 minutos em clínicas com 20 a 40 atendimentos diários.
Perguntas frequentes sobre faturamento TISS
Qual guia TISS usar para consulta médica?
Para consulta médica ambulatorial, usa-se a Guia de Consulta (tipo 1). Ela cobre atendimentos de médicos, dentistas e outros profissionais de saúde em nível ambulatorial. Para exames e procedimentos realizados no mesmo atendimento, é necessário emitir também a Guia SP/SADT separadamente — as duas guias coexistem e se complementam.
Como encontrar o código TUSS do procedimento?
A tabela TUSS completa está disponível na área de prestadores do site da ANS, com busca por nome do procedimento ou especialidade. A versão vigente em 2025 é a tabela TUSS atualizada pela Resolução Normativa nº 592/2023. Sistemas de gestão com a tabela integrada eliminam a busca manual.
Qual o prazo para enviar as guias TISS ao convênio?
O prazo varia por operadora e precisa estar no contrato de credenciamento. A Resolução Normativa ANS nº 305/2012 determina que os contratos definam prazos mínimos para envio e pagamento. Na prática, a maioria das operadoras aceita envio em até 30 ou 60 dias após o atendimento. Guias enviadas fora do prazo são recusadas sem análise.
O que causa mais glosas no faturamento TISS?
As três causas mais frequentes são: código TUSS incorreto ou desatualizado (34% das glosas), falta de autorização prévia (27%) e dados do beneficiário divergentes do cadastro da operadora (17%), segundo dados de 2024 da INAHP. Juntos, esses três fatores respondem por quase 80% das glosas — e todos são preveníveis antes do envio.
Posso recorrer de uma glosa TISS?
Sim. Toda glosa pode ser contestada dentro do prazo estabelecido em contrato — geralmente entre 30 e 90 dias da notificação. O recurso exige a documentação que justifique o faturamento original: prontuário, autorização, laudo, ou comprovante de realização do procedimento. A taxa de reversão de glosas bem fundamentadas varia entre 40% e 60%.
Resumo
O faturamento TISS correto depende de três coisas: usar a guia certa para cada tipo de atendimento, preencher os campos técnicos com dados atualizados (especialmente código TUSS e dados do beneficiário), e enviar dentro do prazo de cada operadora. As glosas mais comuns — codificação errada, falta de autorização e dados divergentes — são evitáveis antes do envio com um processo de validação estruturado.
Para quem quer colocar isso em prática hoje, o ponto de partida é mapear as operadoras com quem trabalha, listar os prazos de corte de cada uma e revisar o cadastro de procedimentos no sistema com a tabela TUSS vigente. O módulo de faturamento do ByDoctor automatiza esse fluxo — da guia gerada no prontuário até a transmissão do lote — e mantém sua equipe focada nas exceções, não na rotina.