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Capa: Faturamento TISS: Perguntas Frequentes das Equipes de Faturamento

Faturamento TISS: Perguntas Frequentes das Equipes de Faturamento

12 min readPedro Impulcetto

O faturamento TISS é o processo pelo qual clínicas, consultórios e hospitais enviam cobranças eletronicamente às operadoras de planos de saúde usando o padrão definido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para quem trabalha com convênios no dia a dia, erros no envio das guias representam glosas — e cada glosa não contestada é receita perdida.

TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) é o conjunto de padrões técnicos e organizacionais que regulamenta como prestadores de serviços de saúde transmitem informações de cobrança, autorização e demonstrativo para as operadoras. A versão atualmente vigente, definida em resolução normativa da ANS, é a 3.05. Cada campo de cada guia tem regra de preenchimento específica — o que gera dúvidas constantes nas equipes de faturamento.

Segundo dados publicados pelo portal da ANS, as glosas administrativas — aquelas geradas por erros de preenchimento, e não por questionamentos clínicos — representam entre 8% e 15% do total de cobranças enviadas por prestadores de pequeno e médio porte. Parte expressiva dessas glosas poderia ser evitada com processos mais claros na equipe de faturamento.

Equipe de faturamento de clínica analisando guias TISS em tela de sistema

Quais são os tipos de guia no faturamento TISS?

O padrão TISS define cinco guias principais, cada uma com finalidade e regras de preenchimento distintas. Usar a guia errada para um tipo de atendimento é uma das causas mais comuns de glosa administrativa.

Tipo de GuiaQuando UsarCampos Críticos
Guia de ConsultaAtendimentos ambulatoriais de consulta médicaCBO do profissional, CID-10, número de autorização (quando exigido)
Guia SP/SADTServiços auxiliares de diagnóstico e terapia (exames, fisioterapia, etc.)Código TUSS do procedimento, grau de participação, quantidade realizada
Guia de HonoráriosServiços profissionais em internaçõesNúmero da AIH ou autorização de internação, grau de participação
Guia de InternaçãoAdmissão hospitalar eletiva ou de urgênciaCID principal, data de admissão, tipo de internação
Guia de Resumo de InternaçãoFechamento de conta hospitalar pós-altaTodos os procedimentos e materiais usados, data de alta, CID de saída

Para clínicas que trabalham principalmente com consultas e exames, o foco costuma ser a Guia de Consulta e a Guia SP/SADT. Conhecer as regras de cada uma — inclusive os campos que se tornaram obrigatórios nas atualizações recentes do padrão — é o ponto de partida para reduzir glosas. Se você ainda está explorando como o TISS funciona, o post o que é TISS e como funciona o faturamento explica o ciclo completo desde a autorização até o pagamento.

O que causa glosa e como contestar?

Glosa é a recusa total ou parcial de um item cobrado por parte da operadora. Ela pode ter origem técnica (procedimento não coberto pelo plano), clínica (auditoria médica) ou administrativa (erro de preenchimento, prazo vencido, beneficiário sem elegibilidade). As glosas administrativas são as mais frequentes e as mais evitáveis.

Profissional de saúde revisando aviso de glosa em sistema de faturamento TISS

Causas mais comuns de glosa administrativa

Na prática das equipes de faturamento, as seguintes situações concentram a maioria das glosas:

  1. Beneficiário sem elegibilidade no dia do atendimento: o plano estava suspenso ou o cartão apresentado era de dependente não coberto. A verificação prévia via portal do convênio ou webservice elimina esse risco.
  2. Código TUSS incorreto ou ausente: cada procedimento precisa do código exato da Terminologia Unificada da Saúde Suplementar. Códigos genéricos ou desatualizados geram rejeição automática na transmissão.
  3. Guia enviada fora do prazo: cada operadora define seu prazo de envio após o atendimento. A maioria aceita entre 30 e 90 dias, mas esse prazo varia por contrato e por tipo de serviço.
  4. Ausência de autorização prévia: procedimentos eletivos que exigem autorização prévia e foram realizados sem solicitá-la são glosados independentemente da qualidade clínica do atendimento.
  5. CID-10 incompatível com o procedimento: quando o diagnóstico codificado não justifica clinicamente o procedimento cobrado, a auditoria da operadora contesta a conta.

Como contestar uma glosa no TISS

A contestação é feita através do próprio sistema TISS, no arquivo de recurso de glosa (arquivo RG). O processo segue três etapas: identificar o motivo exato da glosa no Demonstrativo de Pagamento/Glosas (arquivo DP), reunir a documentação que comprova a correção (autorização, ficha de atendimento, laudo), e submeter o recurso dentro do prazo estipulado no contrato com a operadora.

Para clínicas que acumulam glosas repetidas pelos mesmos motivos, o post como reduzir glosas com faturamento TISS bem configurado traz um checklist prático de configuração que reduz reincidências.

Quais são as versões do TISS e por que isso importa?

A ANS atualiza periodicamente o padrão TISS para incorporar novos procedimentos, corrigir inconsistências e adaptar as regras à realidade assistencial. Cada versão tem estrutura de arquivo XML diferente, e enviar um arquivo na versão errada resulta em rejeição técnica antes mesmo da análise do conteúdo.

A versão 3.05 é a atual e aceita pela maioria das operadoras. Algumas operadoras menores ainda aceitam a 3.04 em paralelo, mas esse suporte tem prazo definido. O post diferenças entre as versões TISS 3.04, 3.05 e a versão atual detalha o que mudou em cada atualização e quais campos foram tornados obrigatórios.

O ponto prático: sempre que uma operadora comunicar que passará a exigir uma nova versão do TISS, a equipe precisa atualizar o software de faturamento antes do prazo de corte. Sistemas que não recebem atualização automática exigem ação manual — e uma semana de envios na versão antiga pode gerar um lote inteiro de rejeições.

O faturamento TISS eletrônico é obrigatório para todas as clínicas?

Sim, para qualquer prestador que tenha contrato com operadora de plano de saúde regulada pela ANS. A Resolução Normativa ANS nº 305/2012 tornou a transmissão eletrônica via TISS obrigatória para todos os prestadores — independentemente do porte, especialidade ou volume de atendimentos por convênio.

O envio em papel não é mais aceito pelas operadoras reguladas pela ANS. Clínicas que ainda entregam guias impressas fisicamente estão fora da norma e sujeitas a recusa das cobranças. O faturamento eletrônico, além de cumprir a exigência regulatória, reduz tempo de processamento e o risco de perda de documentos. O post faturamento TISS eletrônico vs. papel compara os dois modelos com dados de redução de glosas.

Médica assinando guia de consulta TISS em sistema digital de clínica

Clínicas de psicologia e nutrição também usam TISS?

Sim, desde que atendam beneficiários de planos de saúde. O padrão TISS cobre todas as especialidades da saúde suplementar — médicas e não-médicas. Fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos e nutricionistas que faturam por convênio seguem as mesmas regras de transmissão. A diferença está nos códigos TUSS utilizados e, em alguns casos, nas guias aplicáveis (consulta vs. SP/SADT). O post faturamento TISS para psicologia explica as particularidades para essa especialidade.

Como escolher um software de faturamento TISS?

O software precisa atender a três critérios básicos para o faturamento TISS funcionar sem retrabalho: gerar arquivos XML compatíveis com a versão vigente do padrão, atualizar automaticamente quando a ANS publicar nova versão, e ter integração com os principais convênios para consulta de elegibilidade e envio de lotes.

Além disso, vale avaliar se o sistema oferece validação de guias antes do envio — uma checagem automática que aponta campos obrigatórios em branco, códigos TUSS inválidos ou datas inconsistentes. Essa camada de validação é o que diferencia um software que apenas transmite arquivos de um que ativamente reduz glosas. Para comparar as opções disponíveis no mercado brasileiro, o post softwares com faturamento TISS integrado traz critérios técnicos e comparativo de funcionalidades.

Perguntas frequentes sobre faturamento TISS

O que é TISS no faturamento de saúde?

TISS é o padrão eletrônico obrigatório para cobranças entre prestadores e operadoras de planos de saúde no Brasil. Criado pela ANS, define o formato dos arquivos XML, os campos de cada guia e as tabelas de procedimentos aceitas. A versão atual é a 3.05. Qualquer prestador credenciado a um plano regulado pela ANS precisa usar o TISS para enviar cobranças.

Qual é o prazo para recorrer de uma glosa no TISS?

A maioria das operadoras aceita recurso de glosa em até 30 dias corridos a partir da data do Demonstrativo de Pagamento/Glosas. Mas esse prazo não é padronizado pela ANS — cada operadora define o seu no contrato de credenciamento. Equipes que monitoram o DP logo após o pagamento têm mais tempo hábil para contestar e maior taxa de aprovação nos recursos.

Qual tabela de procedimentos usar no faturamento TISS?

A TUSS (Terminologia Unificada da Saúde Suplementar) é a tabela padrão, obrigatória para todos os procedimentos faturados via TISS. Publicada e mantida pela ANS, ela padroniza os códigos de consultas, exames, cirurgias e terapias. Operadoras podem ter tabelas próprias complementares, mas sempre referenciadas aos códigos TUSS.

Como evitar glosas no envio de guias TISS?

Verificar a elegibilidade do beneficiário antes do atendimento é o passo mais eficaz. Além disso: preencher todos os campos obrigatórios, usar o código TUSS correto para cada procedimento, verificar se o procedimento exige autorização prévia e enviar dentro do prazo contratual. Sistemas com validação automática reduzem esses erros antes do envio.

Clínicas que não atendem convênio precisam do TISS?

Não. O padrão TISS é exclusivo da saúde suplementar. Clínicas que atendem apenas de forma particular não têm nenhuma obrigação com o TISS — o padrão só é exigido quando existe relação contratual com uma operadora de plano de saúde regulada pela ANS.

Resumo

Em resumo, o faturamento TISS exige que prestadores credenciados a planos de saúde enviem cobranças em formato eletrônico padronizado pela ANS. As dúvidas mais frequentes das equipes de faturamento concentram-se em três áreas: qual guia usar para cada tipo de atendimento, como evitar e contestar glosas, e como manter o sistema atualizado com a versão vigente do padrão. Resolver essas questões com processos claros e software adequado é o que separa clínicas que recebem dentro do prazo das que acumulam pendências.

Para colocar isso em prática, o ponto de partida é revisar o fluxo de faturamento com sua equipe usando os critérios acima — e verificar se o sistema atual faz validação automática antes do envio. O ByDoctor oferece módulo de faturamento TISS integrado com validação de guias, consulta de elegibilidade e atualização automática de versão, reduzindo o retrabalho da equipe e o índice de glosas.

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