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Certificação SBIS/CFM do Prontuário Eletrônico: Guia 2026

10 min readPedro Impulcetto

A certificação SBIS/CFM é o selo que atesta que um prontuário eletrônico cumpre requisitos de segurança, privacidade e validade jurídica definidos pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Ela é voluntária, mas é o único referencial técnico que autoriza a clínica a eliminar o papel com respaldo legal.

O Sistema de Registro Eletrônico em Saúde (S-RES) é qualquer software que captura, armazena, transmite ou imprime informação identificada de saúde — do prontuário à prescrição. A certificação avalia esse S-RES em três grandes grupos de requisitos: estrutura e funcionalidades, segurança da informação (NGS1) e certificação digital com assinatura ICP-Brasil (NGS2).

Vale saber quem carrega o selo antes de contratar. A lista pública de sistemas certificados da SBIS registra pouco mais de 60 certificados de S-RES ativos em 2026 — e a maioria absoluta é de nível NGS2. Ou seja: mesmo entre os sistemas que passam pelo teste, o selo é seletivo, e nem todo software de agenda ou prontuário no mercado o possui.

Médica revisando prontuário eletrônico seguro em tablet no consultório

O que é a certificação SBIS/CFM e o que ela avalia?

A certificação SBIS/CFM é um processo de auditoria técnica criado pela parceria entre a SBIS e o CFM para atestar qualidade, segurança e privacidade de sistemas de registro eletrônico em saúde. O CFM não testa softwares diretamente — ele reconhece a avaliação conduzida pela SBIS como evidência de conformidade com a Resolução CFM nº 1.821/2007.

Um sistema pode ser certificado em uma ou mais categorias, conforme o escopo: Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), Telessaúde, Prescrição Eletrônica, Serviço de Apoio Diagnóstico Terapêutico (SADT) ou Segurança da Informação. Cada certificado publicado indica a categoria, o estágio de maturidade e o nível NGS avaliados.

Os requisitos avaliados se dividem em três grupos: estrutura, conteúdo e funcionalidades (ECF); segurança da informação nível 1 (NGS1); e certificação digital nível 2 (NGS2). É esse conjunto que separa um prontuário eletrônico com respaldo formal de um sistema que só armazena texto. Para quem está avaliando a troca do papel, entender esses grupos ajuda a ler qualquer proposta comercial com mais critério — o mesmo raciocínio vale ao escolher o que não pode faltar em um modelo de prontuário eletrônico.

Qual a diferença entre NGS1 e NGS2?

NGS1 é o nível básico de segurança da informação; NGS2 acrescenta a certificação digital ICP-Brasil e é o único que permite operar sem papel. Os níveis são cumulativos: o NGS2 contém todos os requisitos do NGS1 e adiciona a assinatura digital de cada documento.

Na prática, a diferença define se a sua clínica ainda precisa arquivar folhas assinadas. Com NGS1, o registro é eletrônico, mas a guarda física do papel continua obrigatória. Com NGS2, cada documento é assinado com certificado digital ICP-Brasil e o arquivo em papel pode ser descartado após a digitalização certificada. Quem quer entender a mecânica da assinatura pode ver o que a lei exige do prontuário eletrônico com assinatura digital.

AspectoNGS1NGS2
FocoSegurança mínima da informaçãoNGS1 + certificação digital
Assinatura ICP-BrasilNão exigidaObrigatória em cada documento
Guarda do papelAinda necessáriaDispensada (operação sem papel)
Validade jurídica plenaParcialSim

Existe certificação NGS3? Desfazendo a confusão

Não existe NGS3. A certificação SBIS tem apenas dois níveis de garantia de segurança — NGS1 e NGS2. Muito material no mercado cita um suposto "NGS3", mas isso é impreciso: nenhum certificado emitido pela SBIS traz esse rótulo.

De onde vem a confusão? Da existência de dois eixos diferentes na certificação, que costumam ser misturados:

  1. Níveis de Garantia de Segurança (NGS): medem a segurança e a validade jurídica. São dois: NGS1 e NGS2.
  2. Estágios de Maturidade (1, 2 e 3): medem a completude funcional do software, e não a segurança. São três estágios cumulativos.

Um sistema pode estar no Estágio 1 de maturidade e, ainda assim, ser NGS2 — como mostra a própria lista de certificados da SBIS, em que a combinação "Estágio 1 / NGS2" é a mais comum. Quem lê "NGS3" em um material de venda está diante de um erro conceitual, não de um nível superior de segurança.

Selo de certificação digital de segurança em documento médico eletrônico

O que são os estágios de maturidade 1, 2 e 3?

Os estágios de maturidade classificam o quanto o software cobre de funcionalidades, do registro mínimo ao uso avançado da informação clínica. São cumulativos: o Estágio 2 inclui tudo do Estágio 1, e o Estágio 3 inclui tudo dos anteriores. Já o Estágio 1 garante a aderência às regras necessárias para eliminar o papel.

EstágioO que representaExemplo prático
Estágio 1Funcionalidades mínimas de registro e uso da informação; já permite eliminar o papelProntuário, evolução e prescrição básicos
Estágio 2Recursos complementares de eficiência operacional e assistencialFluxos clínicos e integrações adicionais
Estágio 3Recursos avançados de registro e uso da informação em saúdeSuporte à decisão e interoperabilidade ampla

Para o dia a dia de um consultório ou clínica de pequeno porte, o Estágio 1 com NGS2 já resolve a necessidade central: registro seguro, assinado e sem papel. Os estágios superiores fazem mais diferença em hospitais e redes com fluxos complexos.

A certificação SBIS/CFM é obrigatória?

Não. Nenhuma lei brasileira obriga clínicas ou consultórios a usar um software certificado pela SBIS. O que a legislação exige é que o prontuário — em papel ou eletrônico — cumpra a Resolução CFM nº 1.821/2007, garantindo autenticidade, integridade, rastreabilidade e guarda mínima de 20 anos.

A certificação importa quando o objetivo é abandonar o papel de vez. Sem um sistema NGS2 e sem a assinatura ICP-Brasil, a clínica é obrigada a manter a guarda física dos registros. Com eles, o descarte legal do arquivo físico passa a ser possível. Para muitos consultórios, essa é a única razão prática para buscar o selo; para outros, cumprir a resolução do CFM e a LGPD no software da clínica já basta.

Há ainda o lado do custo: a SBIS publica uma tabela de preços oficial da certificação, e o processo envolve auditoria e renovação a cada dois anos. Por isso, muitos fornecedores optam por seguir os mesmos requisitos técnicos sem passar pelo selo formal.

Como verificar se um software é certificado pela SBIS?

Consulte a lista pública de sistemas certificados no site da SBIS e confira quatro dados antes de fechar contrato. A certificação tem validade e pode expirar sem aviso ao cliente, então a checagem na fonte é o que garante a informação correta.

  1. Nome e versão exatos do produto — a certificação vale para uma versão específica, não para a marca inteira.
  2. Categoria (PEP, Telessaúde, Segurança da Informação) — precisa cobrir o uso que você fará.
  3. Nível NGS — confirme se é NGS2, caso queira operar sem papel.
  4. Data de validade — o certificado expira a cada dois anos; peça o número ao fornecedor e confira na lista.

Entre os sistemas de mercado, alguns nomes conhecidos aparecem na lista da SBIS com selo NGS2 — o Feegow Clinic, por exemplo, consta como certificado. A ausência de um software na lista não significa que ele seja inseguro; significa apenas que ele não passou pelo processo formal de certificação. Ao comparar opções, cruze esse dado com os softwares de prontuário eletrônico certificados pelo CFM e com o que cada um entrega de segurança na prática.

O ByDoctor tem certificação SBIS/CFM?

Sendo direto: o ByDoctor não consta na lista de sistemas certificados pela SBIS. A certificação é voluntária, e a plataforma segue os requisitos de segurança da Resolução CFM nº 1.821/2007 sem carregar o selo formal — é a mesma escolha que outros sistemas em nuvem fazem.

Na prática, isso significa controle de acesso individual por profissional, trilha de auditoria imutável (cada registro fica marcado com data, hora e autor, sem edição silenciosa) e criptografia dos dados em trânsito e em repouso. A prescrição sai assinada digitalmente via integração com a Memed, que usa certificado ICP-Brasil.

A limitação honesta: para descartar legalmente o arquivo físico com validade jurídica plena, a rota formal continua sendo um sistema com certificado NGS2 somado à sua assinatura ICP-Brasil pessoal. O ByDoctor cobre a operação segura do dia a dia — agenda, prontuário, WhatsApp nativo e IA inclusos — por R$ 147/mês fixos, sem cobrar por profissional, com 30 dias grátis. Se a certificação SBIS formal é um requisito inegociável para o seu caso, vale checar a lista da SBIS antes de decidir.

Perguntas frequentes sobre certificação SBIS/CFM

A certificação SBIS/CFM é obrigatória para clínicas e consultórios?

Não. A certificação SBIS/CFM é voluntária — nenhuma lei obriga a clínica a usar software certificado. Ela é, porém, o referencial técnico reconhecido pelo CFM e o caminho formal para eliminar o arquivo em papel com validade jurídica. Para a maioria dos consultórios, atender à Resolução CFM nº 1.821/2007 já garante conformidade.

Qual a diferença entre NGS1 e NGS2 na certificação SBIS?

NGS1 (Nível de Garantia de Segurança 1) reúne os requisitos mínimos de segurança da informação, mas mantém a guarda do papel. NGS2 inclui todos os requisitos do NGS1 e acrescenta a assinatura digital ICP-Brasil, permitindo operar sem papel. O NGS2 é o nível que dá validade jurídica plena ao prontuário digital.

Existe certificação NGS3?

Não existe NGS3. A certificação SBIS tem apenas dois níveis de segurança: NGS1 e NGS2. A confusão vem dos estágios de maturidade (1, 2 e 3), que medem a completude funcional do sistema — não o nível de segurança. Um software pode estar no Estágio 1 e já ser NGS2.

Como sei se um software de prontuário é certificado pela SBIS?

Consulte a lista pública de sistemas certificados no site da SBIS. Ela traz o nome do produto, a versão, a categoria (PEP, Telessaúde), o nível NGS e a validade do certificado. A certificação expira a cada dois anos, então confirme a data e peça o número do certificado ao fornecedor.

Prontuário sem certificação SBIS tem validade jurídica?

Sim. Um prontuário eletrônico sem selo SBIS pode ter validade jurídica se cumprir a Resolução CFM nº 1.821/2007: autenticidade, integridade e rastreabilidade. Sem certificação NGS2 e assinatura ICP-Brasil, porém, a clínica não pode descartar o papel — precisa manter a guarda física por, no mínimo, 20 anos.

Em resumo

A certificação SBIS/CFM atesta que um prontuário eletrônico cumpre os requisitos de segurança e validade jurídica reconhecidos pelo CFM. São dois níveis — NGS1 (básico) e NGS2 (com assinatura ICP-Brasil, sem papel); "NGS3" não existe e se confunde com os estágios de maturidade. O selo é voluntário: importa mais para quem quer descartar o papel.

Antes de contratar, confirme nome, versão, nível NGS e validade na lista da SBIS. Se o que a sua clínica precisa é operar com segurança no dia a dia — agenda, prontuário eletrônico, WhatsApp e prescrição via Memed — conheça o ByDoctor e teste 30 dias grátis, sem cartão.

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