# Qual CID Usar no Atestado? Guia por Situação Clínica

> O CID no atestado só entra com autorização do paciente. Veja quando incluir, quais códigos usar por situação e o que exige a Resolução CFM 2.381/2024.

- **Data**: 2026-07-02
- **Autor**: Pedro Impulcetto (https://bydoctor.com.br/sobre/pedroimpulcetto)
- **URL**: https://bydoctor.com.br/blog/qual-cid-usar-no-atestado

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<section>

<p>
Na maioria dos atestados, você não deve usar nenhum CID. O código só entra quando o paciente autoriza por escrito, quando há dever legal ou justa causa. Fora dessas hipóteses, o atestado é válido e completo sem o diagnóstico. Quando o paciente autoriza, o CID a usar é o que corresponde exatamente à condição que motivou o afastamento.
</p>

<p>
<strong>CID no atestado</strong> é o código da Classificação Internacional de Doenças que identifica o diagnóstico do paciente dentro do documento. Ele traduz a doença em uma sigla padronizada — J11 para gripe, M54.5 para dor lombar, F41 para transtorno de ansiedade. Como o diagnóstico é dado sigiloso, o código só aparece no atestado com o consentimento de quem foi atendido.
</p>

<p>
A regra está na <a href="https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-atualiza-resolucao-que-regulamenta-emissao-de-atestado-medico/" target="_blank">Resolução CFM nº 2.381/2024</a>, que substituiu a antiga norma de 2002 e passou a regulamentar todos os documentos médicos, do atestado de afastamento ao laudo pericial. O <a href="http://cem.cfm.org.br/" target="_blank">Código de Ética Médica</a> reforça: revelar o diagnóstico sem necessidade fere o sigilo profissional. Por isso a pergunta certa não é "qual CID colocar", e sim "eu devo colocar algum".
</p>

</section>

<figure><img src="/blog/qual-cid-usar-no-atestado/featured.png" alt="Médico preenchendo atestado em consultório sem expor diagnóstico do paciente" /></figure>

<aside>

**Pontos-chave deste artigo:**

- **Regra geral**: o atestado sai sem CID; o código é exceção, não padrão
- **Autorização por escrito**: o CID só entra com consentimento expresso do paciente, registrado no próprio atestado
- **CID por situação**: não existe código único de afastamento; cada quadro clínico tem o seu, do J11 ao M54.5
- **INSS é diferente**: no requerimento de benefício previdenciário o CID costuma ser exigido por dever legal
- **Empresa não pode recusar**: atestado sem CID é válido e a ausência do código não invalida o documento

</aside>

## Quando devo incluir o CID no atestado?

Só em três situações: quando o paciente autoriza expressamente, quando existe dever legal e quando há justa causa. Essa é a estrutura fixada pela Resolução CFM nº 2.381/2024, e ela vale para qualquer especialidade.

Na prática, a mais comum é a primeira. O paciente pede o código — muitas vezes porque a empresa solicitou, ou porque ele vai dar entrada em um benefício. Nesse caso, registre a autorização no corpo do atestado, com uma frase do tipo "a pedido do paciente, informo o CID". Sem esse registro, você fica exposto em uma eventual sindicância.

O dever legal aparece em perícias, laudos judiciais e no <a href="/blog/cid-10-para-convenios-codigos-aceitos-e-rejeitados">faturamento de convênios</a>, onde a operadora exige o código para autorizar o procedimento. Já a justa causa é rara: envolve risco a terceiros ou situações de saúde pública. Na dúvida entre incluir ou não, a resposta segura é não incluir e emitir o atestado limpo. Vale a pena revisar também <a href="/blog/atestado-medico-com-cid-quando-incluir-e-autorizacao-do-paciente">quando incluir o CID e como registrar a autorização do paciente</a> antes de padronizar isso na clínica.

### Como registrar a autorização do paciente

O consentimento precisa estar no documento, não só na sua memória. Algumas formas de fazer isso:

- **Frase no atestado**: "CID informado a pedido expresso do paciente" resolve na maioria dos casos
- **Assinatura ou rubrica**: em atestados impressos, uma linha para o paciente confirmar a solicitação
- **Registro no prontuário**: anote no <a href="/blog/prontuario-eletronico-guia-definitivo-medicos-clinicas">prontuário eletrônico</a> que houve o pedido, com data e horário

## Qual CID usar em cada situação clínica?

Não existe um CID de afastamento. O código sempre acompanha o diagnóstico real, então "qual usar" depende do quadro que você atendeu. A tabela abaixo reúne situações frequentes no consultório e os códigos da CID-10 mais associados a elas. Use como ponto de partida, nunca como substituto do raciocínio clínico.

<table>
  <thead>
    <tr>
      <th>Situação clínica</th>
      <th>CID-10 comum</th>
      <th>Afastamento típico</th>
      <th>Observação</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Gripe / síndrome gripal</td>
      <td>J11</td>
      <td>1 a 3 dias</td>
      <td>J00 para resfriado comum</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Dor lombar (lombalgia)</td>
      <td>M54.5</td>
      <td>2 a 7 dias</td>
      <td>Um dos códigos mais usados no país</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Gastroenterite / diarreia aguda</td>
      <td>A09</td>
      <td>1 a 3 dias</td>
      <td>Comum em surtos e intoxicação alimentar</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Transtorno de ansiedade</td>
      <td>F41</td>
      <td>Variável</td>
      <td>Diagnóstico sensível; reforce o sigilo</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Enxaqueca</td>
      <td>G43</td>
      <td>1 a 2 dias</td>
      <td>Documente a crise no prontuário</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>COVID-19 confirmada</td>
      <td>U07.1</td>
      <td>Conforme protocolo vigente</td>
      <td>U07.2 para caso suspeito</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>

Esses códigos cobrem parte do que chega ao pronto-atendimento e ao consultório, mas a CID-10 tem mais de 14 mil categorias. Para os casos de licença mais longa, o post sobre <a href="/blog/cid-10-para-afastamento-codigos-mais-usados-em-atestados">CID-10 para afastamento e os códigos mais usados em atestados</a> traz uma lista ampliada. E se a dúvida é operacional, uma <a href="/ferramentas/cid10">busca de CID-10</a> evita erro de digitação de código, que é uma causa banal de glosa e de retrabalho.

<figure><img src="/blog/qual-cid-usar-no-atestado/section_0.png" alt="Tela de sistema clínico exibindo busca de código CID durante atendimento" /></figure>

## Como decidir se coloco o CID? Um fluxo em 4 passos

A decisão fica simples quando você segue uma ordem. O objetivo é proteger o paciente e proteger você.

1. **O paciente pediu o CID?** Se não, emita sem o código e siga em frente. A ausência do CID não fragiliza o atestado.
2. **Se pediu, registre a autorização.** Coloque a frase de consentimento no próprio documento antes de escrever o código.
3. **Confirme o diagnóstico e o código.** Cheque a correspondência entre o quadro e a CID-10; um código errado gera confusão administrativa e pode expor dado incorreto.
4. **Guarde o registro no prontuário.** A anotação de que houve pedido e autorização é sua defesa em qualquer questionamento futuro.

Esse fluxo elimina a improvisação. Vários dos <a href="/blog/erros-comuns-ao-usar-cid-10-e-como-evitar">erros mais comuns no uso da CID-10</a> nascem justamente de pular um desses passos — em especial escrever o código sem pedir, ou pedir e esquecer de registrar.

## E no afastamento pelo INSS, muda alguma coisa?

Muda. Para benefícios previdenciários, como o auxílio por incapacidade temporária, o CID costuma ser exigido por dever legal. A perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) trabalha a partir do diagnóstico, então aqui o código deixa de ser opcional e passa a ser parte do requisito.

Ainda assim, o princípio do sigilo continua. O que o dever legal faz é criar uma das exceções previstas na Resolução CFM nº 2.381/2024, não abrir o diagnóstico para qualquer um. O documento vai ao órgão que tem base legal para recebê-lo, não à mesa do RH. Se o afastamento é curto e não envolve benefício, você volta à regra geral: sem CID, salvo pedido do paciente.

Para o passo a passo de preenchimento, incluindo dias de afastamento e onde o código entra, veja <a href="/blog/como-preencher-atestado-medico-dias-de-afastamento-e-cid">como preencher o atestado médico com dias de afastamento e CID</a>.

<figure><img src="/blog/qual-cid-usar-no-atestado/section_1.png" alt="Paciente entregando atestado médico em ambiente de trabalho sem diagnóstico visível" /></figure>

## Perguntas frequentes sobre CID no atestado

### O médico é obrigado a colocar o CID no atestado?

Não, e em regra não deve. A Resolução CFM nº 2.381/2024 admite o código apenas com autorização expressa do paciente, por dever legal ou justa causa. Fora disso, o atestado é válido sem o CID e o diagnóstico permanece protegido pelo sigilo profissional.

### Qual CID usar no atestado de afastamento do trabalho?

Use o código da CID-10 que corresponde ao diagnóstico do afastamento, e só com autorização do paciente. Não existe um CID único de licença: cada quadro tem o seu, como J11 para gripe, M54.5 para lombalgia ou A09 para gastroenterite.

### O paciente pode pedir o atestado sem o CID?

Sim. O sigilo do diagnóstico pertence a ele. Se não autorizar, o médico emite o atestado sem o código. A empresa não pode condicionar a aceitação do documento à presença do CID, exceto em hipóteses legais específicas.

### A empresa pode recusar atestado sem CID?

Não. O atestado sem CID justifica a ausência normalmente. O diagnóstico é dado sigiloso, e recusar o documento por falta do código pode configurar constrangimento ilegal. A exigência só se sustenta quando há previsão legal, como no INSS.

## Resumo

Em resumo, a regra do CID no atestado é a inversa do que muita gente pensa: o padrão é não colocar. O código só entra com autorização escrita do paciente, por dever legal ou justa causa, segundo a Resolução CFM nº 2.381/2024. Quando entra, use o CID-10 exato do diagnóstico — não há código genérico de afastamento.

Para padronizar isso na sua clínica, um <a href="/ferramentas/gerador-atestado">gerador de atestado</a> com campo de CID opcional e o registro da autorização no <a href="/#funcionalidades">prontuário do ByDoctor</a> reduzem o risco de emitir um documento fora da norma. Menos improviso na emissão, menos exposição do diagnóstico e mais segurança para o paciente e para você.


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